Pesquisa aborda comportamento da classe C para compra de imóvel

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Expectativas da “nova classe média brasileira, que chega a 52% da população”.17/06/2009,
São Paulo, SP – “Em um país onde apenas 17,6% dos cidadãos pagam aluguel, por que a casa própria ainda é o maior sonho do brasileiro? A classe C cresce ano a ano, e está mudando a estrutura do consumo no Brasil. Agora, mais que nunca, o mercado imobiliário precisa entender que é necessário compreender os medos e expectativas desse novo consumidor, que sonha com a casa própria”.

Estas colocações são de Renato Meirelles, diretor do Data Popular, instituto de pesquisa voltado para o mercado de baixa renda. O Data acaba de divulgar estudo sobre o perfil dos novos compradores de imóveis.
O estudo lembra que, entre 2002 a 2008, a renda das classes C, D e E cresceu R$ 163 milhões: “O mercado popular é o que mais cresce no Brasil. As pessoas que formam a base da pirâmide melhoraram de vida, têm mais renda e crédito e buscam imóveis que possam suprir suas necessidades, bem distintas daquelas do consumidor das classes A e B”.
“No Brasil, temos uma característica importante nas famílias da base da pirâmide, ou seja, quanto menor a renda, mais gente mora na mesma casa. Isto já distingue muito bem os diferenciais entre as expectativas imobiliárias das classes C, D e E e as dos consumidores do topo da pirâmide”, estima o estudo.
Renato Meirelles diz que, para ter sucesso em um mercado que movimenta R$ 620 bilhões por ano, é preciso compreender como se dá o processo de compra.
Lembrando que a maior demanda habitacional está na base da pirâmide, Meirelles corrige quem acredita que o consumidor classe A é quem movimenta o setor habitacional. “A proporção de pessoas com imóvel próprio é menor nas classes C, D e E, mas, em contra partida, o público da base é muito mais jovem que os das classes A e B.” “Sendo assim – continua -, o número potencial de famílias é maior, e a demanda pelo perfil de imóvel que supra as necessidades desse público é o que mandará no mercado imobiliário nos próximos anos”, afirma o executivo e sócio da Data Popular.
Para dialogar com esse público, Renato Meirelles sugere que as construtoras e imobiliárias se preparem para atender exigências específicas.
“Em relação a outros perfis, o consumidor de baixa renda tem maior temor de não receber o imóvel, pela importância que atribui à aplicação de um dinheiro conseguido com sacrifício. A ligação com o bairro também é outro fator que deve ser levado em conta. Geralmente, parentes e familiares estão concentrados na vizinha, o que influencia no momento de comprar ou alugar imóvel”, explica Meirelles.
Conforme pesquisas conduzidas por Meirelles, “as famílias da base da pirâmide norteiam a compra do imóvel principalmente pelo temor de não conseguir quitá-lo; ou atrasar o pagamento das parcelas. Já as classes A e B têm como maior preocupação a exclusividade e a segurança”, finaliza o executivo.
Resumo: alguns dados da pesquisa do Data Popular
  • Anualmente, surgem no Brasil 1,2 milhão de novas famílias, sendo 80% nas classes C, D e E.
  • 75% dos consumidores de classe C têm algum tipo de receio ao comprar um imóvel, contra 45% na classe A.
  • Apenas 17,6% dos brasileiros pagam aluguel. Mesmo assim, o maior sonho de 54% da população é a casa própria.
  • Compradores potenciais: jovens casais que moram na casa dos pais.
  • O consumidor de baixa renda prefere permanecer no bairro onde mora.

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